Um brinde!🥂

 Meus dias já não são mais dominados pela dor. A maioria deles, pelo menos.

Aquilo que antes me enojava agora é saudável. Foram dez anos me escondendo, evitando olhares, vivendo sob o peso da vergonha e da privação.


Ainda me pego reclamando de tantas coisas que, comparadas ao lugar onde estive, tornam-se insignificantes diante do que conquistei. A possibilidade de estar onde quero sem medo. De sair de casa sem precisar me cobrir imediatamente. De me olhar sem constrangimento. De ir trabalhar sem a angústia constante de que alguém possa reparar demais. De ocupar espaços sem receio de simplesmente ser quem sou, como sempre sonhei. Sonhava com a ingenuidade de uma criança, acreditando que um dia seria possível.


Para que essa mudança acontecesse, precisei atravessar muita dor, estagnação, situações precárias e incerteza. Fiz tudo isso quase sozinha. Por muito tempo, achei que nunca conseguiria. A sensação de estar presa em um ciclo interminável de frustração e vergonha parecia definitiva. Até que veio a última dor, aquela que me fez encarar, sem escapatória, o que eu tanto temia. Não sei se foi um trauma ou apenas o empurrão que faltava, mas sei que os dez anos me escondendo deixaram marcas que agora tento reorganizar.


Se pudesse escolher, teria evitado esse último sofrimento. Mas não pude. E, talvez pela primeira vez, percebi que não ter escolha também pode ser uma dádiva. Porque foi nesse limite, nesse ponto em que não dava mais para fugir, que algo em mim se moveu. Quebrou, doeu, mas me empurrou para um lugar novo. E eu não tenho palavras para descrever o alívio de finalmente estar aqui.


Este é o meu recomeço. E o próximo desafio? A vaidade como expressão máxima de tudo o que conquistei. Tudo ainda é pouco.







Comentários

  1. Olá! Se chegou até aqui, deixe um coração azul! 💙

    E não se esqueça de brindar!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas