Pode entrar! Só não repara na bagunça...☕️

Ao meu futuro cônjuge (ou só alguém que vá lavar a louça hoje rs)

Queria abrir meu coração e te dizer que sim: eu vejo sentido em tirar a comida da panela e transferir para um pote. Sim, é mais estético. Sim, Deus me livre uma visita ver a panela do feijão largada ali (e eu nem gosto de visitas. Apesar de concordar, tem dias em que abro mão da estética em prol da solução mais rápida.

Posso dizer, inclusive, que adoro armários cheios de potes (quando organizados. Mas acho um porre ter que organizar. Imagina! Já lavei uma pia inteira de louça, sequei, e ainda vou ter que organizar?! Ah, não! Na primeira oportunidade, arremesso uma tampa como se fosse uma bola de futebol americano, só para me livrar dela e fechar o armário o mais rápido possível. Vida que segue. Louça lavada... chão limpo... banheiro cheiroso... um tapete de crochê estendido aos pés da cama arrumada. Isso que importa! O resto? Pura estética não funcional.

Nunca fui de ajeitar o arroz no pote pra ele sair soltinho na hora de servir, mas admiro quem faz. Me xingo todas as vezes que abro o pote e vejo aqueles blocos de arroz colados tipo cimento, porque sei que fui eu que armazenei assim.

Certo dia, comecei a fazer um paralelo entre o emocional e estender roupas.
Me peguei ansiosa, procrastinando por ter roupas demais e varal e pregadores de menos. Era sempre a mesma tortura.
O mesmo acontece quando temos poucos recursos para mergulhar nas situações corriqueiras. Cada peça de roupa parece um misto de medo, confusão e microcolapsos. E quando um pregador (que já era pouco ) quebra, ele leva junto minha esperança de uma lavanderia digna. Quantas vezes já não nos sentimos assim?!

No geral, queria recomeçar minha casa do zero. Enquanto isso não acontece, doo pelo menos uma sexta-feira por semana pra deixar as coisas minimamente habitáveis. Minha avó fazia faxina às sextas. Eu faço o que dá. E, às vezes, o que dá... é bem pouco.

Já ouvi por aí que “cada um dá o que tem”. Mas será?
Todo mundo tem mais pra dar. Às vezes falta coragem. Ou espaço. Ou uma mão dizendo: "Vai, eu te ajudo." Vai ver a pessoa até pensa em fazer mais, mas trava, se sabota, espera o momento certo que nunca vem.

E é isso. A gente cresce, para de ser amado com aquela facilidade de antes e acaba tendo que, como diria o System, "levantar, passar uma maquiagem, engolir o choro e seguir em frente".

E a vida segue mesmo. Com o feijão na panela, o arroz empelotado, a tampa perdida do pote, a roupa torta no varal... mas segue. Porque viver também é isso: dar conta do que dá, rir do caos e, se sobrar tempo, dobrar uma camisa social com perfeição vendo um tutorial no YouTube.



Comentários

  1. Olá! Se chegou até aqui, deixe um coração azul! 💙

    Créditos da foto: Do meu amor, Caio César!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas